quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

25 Anos de Música na Ponta dos Pés

Ainda há tempo de falarmos sobre 2015... de falarmos de fatos marcantes... de comemorações significativas... Assim sendo...

Ao som do piano de seu pai, saudoso Professor Nelson, tocando o famoso tango La Cumparsita, a menina Carmem Lúcia tentava seus primeiros passos na dança com apenas 4 anos de idade. Desde então foi tomada por uma paixão avassaladora pela dança. Seu futuro estava escrito, seu destino estava traçado, viveria de dança, viveria pela arte de dançar.
Carmem Lúcia
Foto: Carmem Lúcia, pronta para o seu primeiro espetáculo
Fonte: Acervo do próprio autor

A paixão pelo Ballet Clássico, especificamente, veio ao longo dos anos. Começou a lesionar suas primeiras aulas de dança ainda muito jovem aos, apenas, 15 anos de idade, sob cuidados de sua professora de piano Lúcia Marzzolin Arsilo, na extinta escola de música Sol Maior... e esse SOL a fez brilhar....

O número de alunos aumentou e o “Quartinho do Fundo” da casa de sua mãe deu lugar a uma pequena sala de dança e, nascia assim, sua academia de Ballet. A quantidade de alunos continuou a crescer, por consequência, o quartinho já não era mais suficiente, restando-lhe transformar o quintal da casa de sua mãe em sua academia, assim, a antiga churrasqueira de seu pai deu lugar as barras e aos espelhos. 

A academia de dança Carmem Lúcia Battlet é de origem humilde, simples, oriunda do Jardim da Granja, zona leste de São José dos Campos. Surgiu despretensiosa e hoje está entre as grandes academias de nossa cidade. Já mais estruturada e em parceira com Studio Geração – Personal & Dança, está há alguns bons anos localizada no bairro São Dimas. Seu endereço pode ter mudado, mas o que certamente não muda é sua forma peculiar de educar, de encantar e até mesmo de evangelizar através da dança. Mesmo hoje, em meio a crise econômica e inserida numa sociedade a qual a arte não é um investimento prioritário para muitas de nossas famílias, ela tem resistido ano após ano, mostrando a cada apresentação, a importância da dança a toda comunidade. 

Ao longo de sua trajetória, a bailarina que fez seu pai chorar de orgulho e que hoje faz vários homens também chorar com o mesmo orgulho através de seus alunos e alunas, dançou histórias de encontros e amores, dançou a alegria e entusiasmo. Plantou esperança, fez surgir flores e semeou a paz dançando Tistu, o Menino do Dedo Verde. Dançou histórias do Sítio do Pica Pau Amarelo e entre um passo e outro, entre um ano e outro, não tinha como não dançar nosso amado Jorge Amado. Claro, dançou o futebol... Era o Penta na ponta dos pés. Evangelizou dançando a história de São Francisco de Assis. Dançou a história do nosso Vale do Paraíba. Através das pinceladas pela história da dança houve tempo de dançar a história do sonho do homem de voar. Dançou realmente como mulher brasileira. Que tempo bom foi quando nos mostrou que o essencial é invisível aos olhos pela simplicidade do Pequeno Príncipe. Chegou até a quebrar nozes, antes de dançar Lá Fille Mal Gardee. Com a ponta na pauta, dançou os Saltimbancos e, em 2015, nos presenteou com belos Fios de Prata. 

Fios de Prata
Foto: Apresentação Fios de Prata, Teatro Univap, Dezembro de 2015
Fonte: Acervo do próprio autor

Sua trajetória é uma história de fé, coragem e dedicação. A jovem bailarina se tornou uma experiente bailarina. Cursou duas faculdades, fez pós-graduação, participou de inúmeros festivais, casou-se, tem dois filhos e pelos passos da dança da vida nos mostra que pouco importa a ousadia dos nossos sonhos. Carmem Lúcia nos mostra que o importante é acreditarmos na força incrível que existe dentro de cada um de nós. Nos mostra, principalmente, que devemos escrever a nossa história pelas nossas próprias mãos ou, melhor dizendo, devemos escrever nossa história pelos nossos próprios pés... Pelos nossos próprios passos!

Papai do Céu realmente foi generoso comigo e com muitos outros, por que melhor do que escrever, é participar desta história!!!

Felicidade e Sucesso Sempre! Deus abençoe!

Grande Abraço,

Eduardo Caetano