quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

85 Anos Acreditando no Desenvolvimento do Brasil

Quem já não ouviu falar da história de sucesso da verdadeira lenda viva do empreendedorismo brasileiro que é Ozires Silva? Quem não conhece a história do surgimento da EMBRAER (Empresa Brasileira de Aeronáutica)? Então é quase que uma obrigação, nós joseenses, nós brasileiros, prestarmos esta simples homenagem ao percursor da indústria aeronáutica no Brasil, pelo seu aniversário de 85 anos de idade... 

Alguns fatos interessantes ocorreram no Brasil em 1931, como por exemplo, a assinatura do decreto de abertura do Departamento de Aeronáutica Civil pelo o então Presidente da República, Getúlio Vargas, em 23 de abril; a inauguração do monumento do Cristo Redentor, no Corcovado, no Rio de Janeiro, em 12 de outubro; o nascimento de figuras importantes da nossa história política como o ex-Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso e o ex-Vice Presidente da República, José de Alencar. Também foi o ano de nascimento de Ozires Silva, em 8 de janeiro, o mito brasileiro que sonharia e ousaria seguir os passos de Santos Dumont.

Ozires Silva ainda lembra os pedidos de seu pai, o eletricista Arnaldo de Oliveira Silva, para deixar os estudos de lado com intuito de diminuir as despesas da família, no entanto, sua mãe, a dona de casa e costureira Helena Beldinanzi, era contra essa ideia e o convenceu a não deixar os estudos e então, motivado por ela, nunca mais parou de estudar, fez ensino médio numa escola pública de Bauru, aos 17 anos ingressou na FAB (Força Área Brasileira) e, alguns anos depois, se formou pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).
Ozires Silva
Foto: Ozires Silva, década de 40 

Antes de pensar em estudar qualquer coisa que fosse, lá pelo fim dos anos 40, sentado no banco da praça, na Avenida Rodrigues Alves, no centro de Bauru, Ozires e seu grande amigo Zico, olhavam para o horizonte, sonhavam acordados com o futuro e se perguntavam como seria possível uma terra que teve Santos Dumont, como criador do avião, não seria capaz de fabricá-los...

No auge de sua juventude ele já tinha, projetada em sua mente, uma fábrica de aviões. Foi, sem dúvida alguma, um visionário. Foi tomado por uma vontade de construir algo realmente significativo para este país. Numa época em que a comunicação era muito precária, onde os pedidos, os requerimentos, os acordos e as solicitações eram feitas através de cartas manuscritas, ou no máximo datilografadas e os desenhos eram feitos manualmente, ele teve coragem e determinação para liderar uma equipe que “tinha tudo para dar errado” (como ele mesmo diz em suas palestras motivacionais), com o objetivo único de projetar e construir o primeiro avião brasileiro. Talvez hoje, nem consigamos imaginar quantas noites em claro eles passaram e quanto sacrifício pessoal optaram por fazer em nome deste objetivo maior. 

Não sejamos injustos, alguns nomes foram de peculiar importância para a realização deste feito histórico como, por exemplo, seu amigo que viria a ser seu sucessor presidencial na empresa e que tinha o nome bem parecido com o seu, o engenheiro Ozílio Silva. Outro nome de extrema importância foi o do Tenente-Brigadeiro do Ar, Paulo Victor da Silva, responsável pelo batismo da primeira aeronave brasileira com o nome: Bandeirante. Segundo ele, este nome foi dado num sentido de que este avião iria certamente desbravar, em todos os aspectos, o “Céu de Brigadeiro” deste imenso mundo. E, num momento político que favoreceu toda a burocracia, nasceu em 1970, a EMBRAER e sua história de sucesso empresarial e industrial é hoje conhecida e reconhecida internacionalmente.


Apenas como uma curiosidade, numa dessas coincidências da vida, também em 1970, a seleção brasileira de futebol liderada por Mário Jorge Lobo Zagallo, nascido em 9 de agosto (Maceió-AL) no mesmo ano em que Ozires Silva nasceu, 1931, conquistaria seu terceiro título mundial.

Maior que o sonho de projetar e fabricar aviões brasileiros, foi a sua “Visão Mercadológica” em relação ao que este produto poderia trazer em benefício para nosso país. Ele sabia, tinha certeza, que através deste produto, o Brasil seria lembrado por todos os cantos, não só pela conquista do futebol, mas também por gerar um produto extremamente robusto, confiável e tecnológico. 

Não satisfeito, no que diz respeito ao seu lado empreendedor, após inserir sua marca no mercado da aviação mundial, Ozires Silva, criou a Pele Nova Biotecnologia, primeiro fruto da Academia Brasileira de Estudos Avançados, uma empresa focada em saúde humana cuja missão é a pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologias inovadoras na área de regeneração e engenharia tecidual. Além disto, mais tarde foi presidente da Petrobras, foi presidente da Varig e também foi ministro da Infraestrutura.

Reconhecido nacionalmente, condecorado internacionalmente, membro de uma série de conselhos e em meio a esta saudável loucura empreendedora, houve tempo ainda de se aventurar na escrita, publicando, até hoje, cinco livros: 1- Nas Asas da Educação: A Trajetória da Embraer; 2- Cartas a um Jovem Empreendedor: Realize seu Sonho, Vale a Pena; 3- A Decolagem de um Sonho: a História da Criação da Embraer, 4- Etanol: a Revolução Verde e Amarela e, 5- Um Líder da Inovação: Biografia do Criador da Embraer, escrita por Decio Fischetti.

Foi casado com dona Therezinha Silva, é pai de três filhos, é avô de sete netos e dois bisnetos e, atualmente, Ozires Silva é reitor do Unimonte, centro universitário em Santos. Também é presidente do Conselho da Anima Educação, é membro do Grupo São José 2030, é presidente do conselho administrativo do WTC (World Trade Center) e colunista do jornal O Vale, aos domingos.

Diante de toda esta trajetória de sucesso não nos resta outra coisa a não ser ficarmos estupefatos e gratos por estarmos colhendo os frutos do seu sucesso. E podemos dizer que esta é uma história digna de ser retratada em uma peça teatral, uma série de televisão até mesmo um filme de longa-metragem... como uma autêntica história de um herói nacional, pois, acima de tudo é um líder nato que acredita no ser humano que está ao seu lado, acredita na arte do saber, acredita na fomentação da pesquisa e desenvolvimento, acredita na motivação gerada, tão somente, através do brilho dos seus olhos e continua, diariamente, acreditando neste pais de oportunidades, chamado Brasil, há 85 anos.

Nós joseenses, nós brasileiros, agradecemos muito por fazermos parte desta história!

Grande abraço,
Eduardo Caetano