segunda-feira, 21 de março de 2016

Victor Mendes, o violeiro da cidade grande!

Foto: Victor Mendes, criança, aprendendo violão
Fonte: Acervo de Victor Mendes
Talvez ninguém imagine que no bairro mais sofisticado de São José dos Campos cresceu uma das promessas da música caipira do nosso país... O músico Victor Santos Mendes, retrata a rápida transformação da nossa cidade. Nascido em 09 de novembro de 1987, no bairro Vila Ema, mudou-se com sua família para um dos primeiros prédios do bairro do Jardim Aquárius, quando ali as ruas ainda não eram asfaltadas. Ele se lembra de andar muito de bicicleta, fazer “guerra de mamona” e fazer fogueiras de São João com os amigos onde hoje estão grandes edifícios. 

Quem é do ramo da música sabe que existe uma relação afetuosa entre o instrumentista e seu instrumento, existe uma relação química entre os dois onde o instrumentista, de forma natural, aprende e compreende a linguagem do seu instrumento musical. E isso aconteceu com Victor Mendes, ao pedir emprestada a viola caipira de um amigo que havia ganhado de seu irmão anos antes da formação do Trio José, grupo no qual é integrante atualmente. Apesar de ter nascido para música na banda de rock chamada Ethama, foi o encontro com a viola que permitiu a ele conhecer o Brasil, as pessoas, suas histórias, grandes amigos e parceiros como é o caso de Paulo Nunes e Saulo Alves.

O Trio José já foi quarteto, já foi dupla, hoje em dia varia as suas formações, mantendo sempre o mesmo nome e lançou, no final de 2014, seu primeiro disco, chamado “Puisia”, que é um trabalho feito a partir de onze poemas do Seu Juca da Angélica, poeta de Lagoa Formosa, Minas Gerais. Durante a gravação deste disco, Victor Mendes teve muitos problemas para reaprender a cantar. Como usava a voz para trabalhar no Museu do Futebol, em São Paulo e depois ia ao estúdio gravar, por inexperiência e por uma auto cobrança excessiva, o resultado foi o pior: não conseguia mais cantar! Foi um período de dores de garganta, gripes, etc, mas retomou as aulas de canto e, com muita dedicação e até fonoterapia, aprendeu a usar melhor a voz. 

Tendo como inspiração a música caipira e motivado por seus pais, namorada e família, vai trilhando um caminho musicalmente original, assim como seu ídolo, Milton Nascimento, conseguindo criar uma música particular, universal, sem rótulos e sem amarras.

Segundo ele mesmo diz “foi aqui em São José dos Campos que criou raízes, fez amigos, aprendeu a tocar. Mesmo morando em São Paulo, tem uma ligação muito forte com a cidade. A viola caipira fez enxergar nossa cidade de outra maneira, não apenas como uma cidade industrial, mas como uma cidade que guarda uma herança caipira, uma cultura popular muito forte e que está viva nas pessoas. E São José dos Campos é terra de violeiro e a proximidade com a Serra da Mantiqueira, os tropeiros, a orquestra de viola caipira criada aqui pelo Braz da Viola colaboraram para isso se manter vivo.”
Foto: Victor Mendes, adulto, tocando viola
Fonte: Lia Bernini Vieira

E no trecho da música de sua autoria "Meu canto é saudade", Victor Mendes nos deixa um recado: “Queria que meus verso andasse pelos caminho, consolando os infelizes, dando pão aos probrezinho...!”

Então, meu amigo Victor,  seja feliz e continue nos presenteando com sua música e seu repertório! 

Obrigado por acreditar no Pode Cornettah e por nos permitir dividir um pouco da sua história!

Grande abraço, 

Eduardo Caetano


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